sábado, 15 de abril de 2017

Partiram-me o coração.

Há coisas que realmente nos quebram o coração. Por norma, são homens ou mulheres que não correspondem ao nosso sentimento, que nos traem ou que nos desiludem. No meu caso, é o trabalho.
E, pela segunda vez na minha vida, o trabalho partiu-me o coração. Foram pessoas, naturalmente, que o fizeram. Mas são rostos quase, ou totalmente desconhecidos, por isso não consigo associá-los à tristeza e frustração que me causaram. Apenas o nome da empresa.

Não sei se ainda se lembram, mas há cerca de um ano e meio, eu e mais umas dezenas de pessoas fomos despedidas da empresa mais espectacular onde trabalhei. Foi um golpe duro, do qual custou muito a recuperar. Entretanto fui trabalhar para Braga, não me dei muito bem por lá e acabei por voltar para o Porto.

Voltei porque surgiu uma oportunidade de trabalho que eu achei que ia mudar a minha vida. Fui a três entrevistas, onde me espremeram ao máximo, para finalmente considerarem que eu tinha o perfil perfeito para a função que ia desempenhar. Deram-me um contrato sem termo, um telemóvel, seguro de saúde, formações, um ambiente de trabalho incrível e um lugarzinho num dos mais prestigiados grupos do país.
E eu pensei: é agora! É agora que a minha carreira vai ganhar o rumo que eu sempre quis. É agora que vou conseguir alcançar todos os meu objetivos e cumprir os meus sonhos.

Para explicar melhor a dimensão disto, deixem-me esclarecer que, desde que me conheço por gente, o meu sonho nunca foi casar, ter filhos e ser feliz. O meu sonho era o trabalho. Sempre foi. Ao contrário da maioria das pessoas que conheço, se estiver num trabalho de que goste e que me faça feliz, então tudo o resto deixa de ter importância. São apenas detalhes.

Então, pensei eu, finalmente o meu sonho ia concretizar-se, porque eu estava num grupo gigante, com várias empresas e podia trabalhar ali o resto da minha vidinha, sem me aborrecer, porque existiriam sempre novas oportunidades. 

Só que não. A empresa não estava a dar o lucro pretendido e era preciso fazer cortes. E, já se sabe, os cortes fazem-se despedindo pessoas. Jamais se pense que os administradores vão deixar de trocar de carro a cada dois anos e de escolherem sempre modelos topo de gama, cujo preço dava para pagar vários anos do meu salário, para diminuírem os custos da empresa.

Primeiro foi metade da equipa de Espanha, depois a restante, nomeadamente o meu chefe. Foi nomeada uma nova responsável pela área e definida uma nova estratégia. Estratégia essa que já não pretendia um perfil como o meu. Que já não queria contar com a minha equipa. Que queria passar a subcontratar aquele tipo de serviços e, por isso, cinco meses depois de estar a viver o meu sonho profissional, fui chamada para me dizerem que, afinal, eu já não tinha lugar naquela empresa, porque queriam uma estrutura mais light!

Não consigo explicar tudo o que senti quando percebi o que estava a acontecer. Para mim era quase o fim do mundo. Afinal, aos 34 anos, quem é que quer andar outra vez à procura de emprego, a ter de recomeçar, sem saber bem o que vai fazer da vida a seguir?

Estive a trabalhar mais de um mês, a saber que não ia ficar lá. A saber que me atraíram com promessas e depois me tiraram o tapete, assim à bruta. Passei pela fase de revolta, de descrença e de tristeza, até que percebi que realmente eu não podia ter feito nada para contrariar aquela decisão. E olhem que bem tentei! Foi esgotante e cansativo. E, finalmente, cheguei àquele ponto em que tive de me mentalizar que não dependia de mim e que tinha de me desprender daquilo. Foi o que fiz. Aliás, é o que tenho feito. Ou tentado. Uns dias mais animada que outros, mas motivada para enviar currículos e enfrentar o que aí vier.

E, para já, o que se aproxima são férias! Uma semana de descanso e depois 10 dias na Polónia com o amigo do coração.

Quando voltar, logo se vê o que vai ser da minha vida. Só sei que não posso deixar de fazer o esforço de pensar positivo. Afinal, há coisas bem piores, já diz a minha mãezinha. Para mim não é bem essa a verdade, mas é a que eu tento interiorizar. Não é o fim do mundo. Não o foi da primeira vez e, com certeza, não será desta.

Do meio ano que passei naquela empresa ficaram as experiências, as aprendizagens e, sobretudo, as pessoas fantásticas que conhecei e que, tenho a certeza, irão permanecer na minha vida. E a mágoa. De ter sido apenas mais um número riscado, no meio de orçamentos de milhões. Mas, quem sabe se o melhor ainda estará para vir?

3 comentários:

  1. As empresas são uma merda... os funcionários não passam de números. Boa sorte nessa nova fase!

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  2. Isso é uma m*rda!
    Mas de certeza que brevemente terás boas notícias.
    Força para esta fase menos boa... :/

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  3. Em breve vais ter outro trabalho que te preencha as medidas, não desesperes! :) Qual a tua área de formação?

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