sexta-feira, 10 de junho de 2016

Desabafo de uma ex-otimista

Já leram o livro 'O Segredo'? Eu também não. Mas conheço a teoria. E, mais ou menos, sempre a defendi. Passei a minha vida toda a dizer às pessoas que me rodeiam que têm de ser otimistas e ter pensamento positivo, para que as coisas boas se concretizem. 
Eu, quase sempre otimista por defeito, que acredito sempre que tudo vai dar certo, estou na fase: Quero que isto tudo se foda. Esqueçam lá isso do "não devias escrever palavrões", porque é das poucas terapias que me restam. É isso ou ir ali ao tasco comprar um maço de tabaco.
Parece que a minha vida entrou numa espiral negra, em que já muito pouco escapa. 

Até há algum tempo, eu achava que era impossível tudo estar bem na nossa vida. O amor, a saúde, a família, o trabalho. Havia sempre uma destas vertentes que não corria tão bem, como numa espécie de equilíbrio em que a nossa vida se mantém. E vivia perfeitamente bem com isso. Por a proporção era, por norma, de três partes boas, para uma má. 
Quando este equilíbrio começa a desaparecer e a pender para o negativo, torna-se difícil conseguir visualizar as coisas tal como queremos que aconteçam (lá está, o 'Segredo') e começamos a resvalar para o lado dramático, em que parece que já adivinhamos os piores cenários. 

Não tenho escrito, porque não tenho tido vontade. Porque não queria partilhar esta fase má com os meus leitores (se é que ainda vem cá alguém, após tantas semanas de abandono). Porque odeio as pessoas que passam a vida a queixar-se de tudo e não quero ser uma delas. Porque não quero nem gosto que os outros saibam que a minha vida não corre tão bem como imaginam. Porque não gosto de dar parte de fraca. 

Mas agora que deixei os dedos correrem o teclado, percebo a falta que me tem feito. Porque, de facto, às vezes faz falta partilhar estas coisas, sem ter de cair no papel de vítima. 

Não sou uma vítima. Tenho tomado más decisões. Bastantes. Muitas vezes seguidas. Sendo responsável pelas minhas ações, jamais poderei ser uma vítima. Só tenho de aprender a lidar com elas, já que sou daquelas pessoas que anda meia vida a recriminar-se pelas coisas erradas que fez há 20 anos atrás. 

Um dia, quem sabe, aprendo a aceitar e a seguir em frente.

Este texto foi escrito em menos de cinco minutos e publicado sem qualquer revisão. É assim que deve ser. Um desabafo. 

7 comentários:

  1. Temos q combinar um café com a Andreia ;)

    ResponderEliminar
  2. Sabes que há poucas decisões que não possam ser revestidas não sabes?!
    Além disso, muitas vezes as coisas más vêm para nos ensinar alguma coisa.
    Coragem e não deixes que isto mude a tua essência.
    Abraço apertado!

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Sei. E estou a tentar reverter uma delas. Ou estava. Acho que desisto. Como diz o outro: não há-de ser nada

      Eliminar
  3. Eu acho que a nossa vida é muito curta para a perdermos a viver e a sobreviver a más decisões... se te arrependes, rejeita a má decisão!!

    ResponderEliminar