domingo, 2 de novembro de 2014

Gostava de ter um título fabuloso para este post, mas não tenho, por isso, leiam sff. É dos sérios.

Esta semana tive uma epifania. 
Debatia-me esta semana com o dilema de ter dois jantares, na sexta e ontem à noite, em pontos completamente distintos, sendo que, pelo meio, era obrigada a ir à aldeia fazer umas coisas, o que não dava jeito nenhum. Ir a ambos implicava umas viagens a mais, além dos gastos com as jantaradas e respectivas saídas, por isso estava a tentar decidir a qual dos dois ir. Sendo que o de sexta já estava marcado, ponderava faltar ao de ontem, que reunia o pessoal da corrida. E o que eu queria jantar com eles!
Foi então que me ocorreu: caramba! Eu tenho mesmo é de ir aos dois, porque esta vida são dois dias, amanhã dá-me uma coisinha má e eu perco isto tudo. Há que aproveitar enquanto cá andamos. 
Sendo que nunca fui muito seguidora da ideologia do "carpe diem", considerando que não temos de fazer tudo de uma vez porque há tempo para tudo, dois acontecimentos da semana passada fizeram-me começar a ver as coisas por outro prisma.

1. No dia em que fui ao hospital fazer os meus exames, fiquei a saber que um primo do meu pai, com 60 anos, estava lá internado. Com um cancro. Galopante. E sem a mínima esperança de sobreviver. Eu não o conhecia pessoalmente porque ele nunca aparecia em casa da mãe para os habituais convívios entre irmãos e primos. Conheço todos os outros, convivo habitualmente com eles e adoro-os, mas daquele só tinha ouvido falar. E ele morava ali "ao lado". Aquele homem passou a vida a trabalhar para manter a mulher e a filha. Depois, a mulher, a filha e os netos. Ninguém mais o ajudava naquela casa, nem que fosse a plantar duas batatas e umas couves no quintal, que está de velho. Aquele homem não passeou, não conviveu, não foi de férias nem aproveitou o lado melhor da vida. Agora tem um tumor na tiróide e zero esperança de vida. E a vaca da mulher está sentada ao lado dele, na cadeira, com cara de frete. Quando o visitei, ele já mal conseguia respirar. Perguntei se estava assim há muito tempo. Quatro semanas. E, mesmo assim, a vaca da mulher e da filha deixaram-no meter-se outra vez num avião a caminho de França, para voltar ao trabalho nas obras. Senão estivesse entubado, já tinha morrido. Como está no hospital, é capaz de viver mais dois meses.

2. Cinco dias depois fiquei a saber que um tio meu tem um cancro no fígado. Já não me lembro de o ver, porque ele é um bicho do buraco que passa a vida a trabalhar no campo, que não vai a lado nenhum, nem casamentos, nem aniversários, nem porra nenhuma. Aquele homem também não passeou, não conviveu, não foi de férias nem aproveitou o lado melhor da vida. Agora vai fazer quimioterapia, mas nem sei quais são as probabilidades de cura ou sobrevivência, porque parece que a doença dele é uma espécie de segredo de estado e não se pode comentar nem perguntar a ninguém. 

Posto isto, decidi que tinha mais era que ir aos dois jantares, estar com os meus amigos, aproveitar o tempo da melhor maneira possível e fazer da minha vida uma passagem repleta de bons momentos. Porque, efectivamente, só cá estamos de passagem. Por isso, é bom que façamos dela uma grande festa!

1 comentário:

  1. É mesmo isso. Temos de aproveitar porque sinceramente nunca saberemos o dia de amanhã.

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