segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Lois está metida numa bela de uma enrascada!

Com esta história toda do gajo não vos contei que me meti num imbróglio daqueles de gente grande.
É um post longo, mas preciso mesmo que o leiam até ao fim. 

Na segunda-feira à noite fui curtir o Carnaval com uns amigos. Acabámos a noite numa discoteca que conheço há muitos anos e que é de um amigo meu.
No fim da noite, já depois das 7 da matina, vim cá fora atender o telemóvel. Como os outros já estavam a pagar, deixei-me lá estar à espera deles. Nisto, vejo os seguranças arrastarem cá para fora um gajo que estava muito bêbedo. Até aqui, tudo normal.
Estavam a perguntar-lhe pelo cartão, quando um deles lhe deu uma chapada que o fez bater com a cabeça na porta. Depois deram-lhe um pontapé na barriga e ele caiu no meio do chão.
Comecei a assustar-me com aquilo e liguei ao dono da discoteca. Como ele não atendeu, enviei sms a dizer para vir cá fora, mas ele só viu mais tarde. Os meus amigos também não atendiam o telemóvel e assisti, sozinha, a uma cena de pancadaria do outro mundo.
Os seguranças espancaram o fulano. Mesmo depois do cartão ter aparecido, deram-lhe um murro que o fez cair outra vez ao chão e recordo-me perfeitamente de ter ouvido a cabeça dele bater no cimento... Entretanto apareceram os amigos dele e uma rapariga disse que lhe pagava o cartão. Mesmo assim, eles voltaram a bater. Fiquei tão nervosa com aquela cena que já só queria sair dali. Depois pensei: raios, porque é que não fiz alguma coisa? Mas congelei...
Depois de os seguranças o largarem, fui ter com as pessoas que estavam com o fulano e disse para irem fazer queixa à GNR e que, se fosse preciso, eu era testemunha do que aconteceu e deixei o meu número de telemóvel.
Entretanto os meus amigos saíram e eu contei-lhes o filme todo. A primeira coisa que me disseram foi que eu não devia ter dado o meu contacto e que não me devia ter metido.
E eu expliquei que me pus no lugar da família e dos amigos do fulano... Caramba! E se fosse o meu primo de 18 anos que bebe uns canecos e deixa de saber o que faz? E se fosse o meu amigo Jorginho que uns anos antes, com os copos, tinha armado uma cena lá dentro e que também foi posto cá fora? A diferença é que os seguranças da altura eram pessoas calmas e civilizadas. Ele gritou, esperneou, insultou-os, ameaçou-os e eles limitaram-se a ficar cá fora de braços cruzados a olhar pra ele, a curtira a bebedeira dele. Eu conhecia-os e eram gajos porreiros. Fiquei uns anos sem lá ir e mudaram o staff. 

Uns dias depois, ligou-me a mulher do rapaz, que afinal é um homem de 33 anos, dono de outros bar na mesma cidade da discoteca, casado e com um filho pequeno. Ela é jurista e está a tentar avançar com um processo contra dos seguranças. Quis que eu descrevesse o que vi e perguntou-me se eu era testemunha, no caso de avançar com o processo. Eu disse que sim. Pediu-me que não comentasse o caso com o dono da discoteca e eu assim fiz. 
Só que hoje ele mandou-me sms a perguntar se era verdade que eu me tinha oferecido como testemunha (How the fuck does he know????). Ainda não lhe respondi, mas mais logo vou-lhe ligar para explicar tudo o que os seguranças fizeram ao homem, que foi grave, muito grave, e que ninguém tem o direito de fazer isso.

Ontem, em conversa com o futuro marido, perguntei se ele também achava que eu tinha feito mal em dar o meu contacto e oferecer-me para ajudar. Ele disse que no meu lugar faria o mesmo, mas que eu devia estar consciente de que era um risco.
Um risco, perguntei eu?? Um risco como? Achas que eles podem tentar fazer-me mal? E naquela momento começaram a passar-me filmes pela cabeça. Afastei-os e disse: Achas mesmo que eles me vão seguir até à porta de casa e tentar intimidar-me? Ou bater-me? Isso não acontece cá!
Ele ficou a olhar para mim e disse que se eu de facto não os conseguisse identificar (era noite, os segurança são todos iguais e se os voltar a ver não vou ter a certeza que eram eles...), provavelmente nem se iam chatear comigo, mas que se eu chegasse lá e lhes apontasse o dedo a dizer que foram eles, se calhar eles não iam deixar barato...

E agora estou eu aqui a pensar se fiz bem ou mal. Se o processo avançar eu tenho o dever de testemunhar. Mas e se os gorilas decidem vingar-se??? Digam-me lá que eu estou a fazer filmes e que isso não vai acontecer!

8 comentários:

  1. Não sei por que valores se regem as outras pessoas...mas eu tb seria testemunha no teu lugar.

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  2. Acho que pode ser assustador...mas temos que fazer o que está correcto caramba. Senão onde isto vai parar? Coragem Lois!

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  3. Bem acho que fizes te. MAs que é arriscado com essa malta é verdade. E podes dizer a teu amigo dono da discoteca que com seguranças assim ele próprio também se vai meter em trabalhos...
    Por isso é que os meus serões são passados em casa deitado no sofá com a Xs :)

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  4. Tem calma, querida. Se conheces o dono da discoteca, suponho que não vai deixar que te fazem mal. Só vais fazer o que qualquer pessoa decente deveria fazer.

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  5. Ontem liguei ao dono da disco e ele deu-me razão, blá blá. Mas não fiquei convencida de que ele estivesse a falar a sério... Vamos ver no que dá!

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  6. ser testemunha é um dever cívico.

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