quinta-feira, 17 de agosto de 2017

As "Horas do Diabo" que roubam vidas

Hoje de manhã, enquanto tomava o pequeno-almoço, fui espreitando, como habitualmente as redes sociais no telemóvel. De repente dei com o post de um amigo meu, em que lamentava a partida de uma pessoa. Na foto havia duas raparigas, uma conhecida e outra desconhecida. Pensei: de certeza que não foi a I. Deve ter sido a que não conheço. 
Uns minutos depois, encontro outra publicação. E eu estava enganada. Os lamentos eram mesmo pela morte daquela pessoa. Fiquei em choque. Mesmo não sendo minha amiga, apenas conhecida, não sei explicar a tristeza que senti quando percebi que ela tinha falecido. A I devia ter mais ou menos a minha idade, era casada com um rapaz do meu tempo de escola, tinha um bebé, um bom emprego.
Pensei: Caramba. Como é que é possível? Se calhar estava doente e eu não sabia... Não sei porquê, não consegua imaginá-la a ter uma morte repentina. Até que falo com o meu amigo e ele me diz que ela se suicidou. Foda-se!
O choque foi ainda maior. Parece que após o parto ganhou uma depressão. E pelos vistos essa cabra atormentou a cabeça da rapariga, até ela pôr termo à própria vida. Foda-se!
Eu sei que ninguém, por mais que parece, tem vidas perfeitas e que todas as famílias têm problemas. Mas simplesmente não consigo imaginar um quadro destes para a I. Parecia ter tudo para ser feliz... Era daquelas pessoas para quem se olhava e se pensava tudo e mais alguma coisa, menos que um dia se poderia suicidar. Suponho que seja assim com quase todas as pessoas que conhecemos. Ou que não conhecemos assim tão bem.
Não consigo sequer imaginar o Inferno que ia na cabeça daquela miúda para a levar a este ato extremo. Só consigo ver a imagem dela, baixinha, muito bonita e sorridente. Foda-se.
A depressão continua a ser tratada como a doença de quem não tem mais o que fazer, mas a verdade é que todos os dias mata mais pessoas. E nestas alturas é sempre fácil questionar como é que as pessoas mais próximas, o marido, os pais, os amigos, não perceberam que uma coisa dessas poderia vir a acontecer. E se não der sinais? E se a pessoa se fechar num diabólico novelo de sentimentos que, como se diz na minha terra, nas horas do Diabo, a faz atirar-se de uma varanda abaixo?
A I. não era minha amiga, mas fiquei devastada com a morte dela. Por ela, pelo marido, pelo bebé, pelos pais e pelos amigos. A I. tinha toda a vida pela frente e decidiu, jamais saberemos porquê, acabar com ela. 
Todos temos I's. na nossa vida, mas se calhar andamos tão ocupados a olhar para o nosso próprio umbigo, que ficamos cegos a eventuais pedidos de ajuda silenciosos de quem nos rodeia.
Por todas as I. nas nossas vidas, vamos tentar ouvir um bocadinho mais. Estar atentos a sinais de alarme e, sobretudo, não desvalorizemos as depressões dos outros. Nunca sabemos quem será a próxima I.
Que tenha agora o sossego que não encontrou em vida...

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Quando se tem um dilema daqueles a sério...

Ando cansada. Mas tão cansada, que começo a ponderar seriamente se vale a pena continuar a fazer o jornal da terra em part time. É certo que o dinheiro dá jeito (não sendo muito, dá para pagar a despesa fixa do carro), mas nesta altura, com eleições, futebol a começar, festas e mais festinhas, tem-se tornado demasiado cansativo. 
São muitas as tardes de piscina perdidas, as faltas aos jantares com os amigos e cada vez menos os momentos de dolce far niente, que tanta falta fazem. E ainda mais as horas de sono perdidas, durante a semana, para escrever as páginas, sobretudo agora, que acordo muito mais cedo.
E, apesar de saber que, muito provavelmente, lá para outubro as coisas acalmam, penso que depois vem o Natal e a Páscoa,  e os aniversários dos jornais (sim, são dois em um), que obrigam a edições especiais com mais páginas e torna-se quase desesperante.
E eu ando sem paciência alguma para transcrever discursos sem fim e encher chouriços quando há falta de notícias de jeito. Já para não falar nas chatices que a porcaria da política me tem trazido, com toda a gente a querer mais destaque que os da oposição e a reclamar constantemente da minha imparcialidade. Sim, todos querem ser o centro das atenções, mas apenas pelos motivos que lhes convém. Se for para dizer umas verdades daquelas inconvenientes, aí "eu já me ando a esticar", como teve a lata de me dizer um vereador a semana passada. Yap. Fui ameaçada! A minha primeira ameaça, enquanto jornalista, surge no final de 11 anos a mandar bitaites nas páginas de jornais!
E a verdade é que, por muito que eu goste do jornalismo, há muitos anos que decidi que não queria fazer disto vida, por todos os defeitos que a profissão tem. E também prometi a mim mesma que, quando me voltasse a chatear por causa do jornal, o deixava na hora, porque só o quero fazer enquanto me ajudar a ser feliz. Esta semana já tive dificuldade em adormecer e tive de tomar um comprimido para a ansiedade.
Resta-me conseguir perceber se isto significa que está na hora para dizer chega e para me separar de um projeto que cresceu comigo e que acompanho há dez anos.

terça-feira, 1 de agosto de 2017

Quem diria que eu sou uma gaja envergonhada.

Ontem dei um salto ao shopping para ver o que restava dos saldos. Comecei logo pela Intimissimi, que aquilo nos primeiros tempos é na mesma uma roubalheira. Claro que ao esperar muito para o fim, se corre o risco de não arranjar tamanhos, mas o que não faltam lá por casa são sutiãs, por isso, se não comprasse nada, não viria mal ao mundo.
Por sorte, os modelos que eu queria existiam no meu tamanho. Comprei um conjunto acetinado lindo de morrer, em azul marinho (e começar a comprar coisas de outra cor, não??) e até trouxe duas cuecas, porque estacam a menos de metade do preço. Este:



E deixei lá a marinar outro conjunto, da mesma coleção, mas em vermelho. Andava a namorar aquele modelo há imenso tempo, experimentei e gostei de ver. Mas depois achei que não ia usar e acabei por deixá-lo lá. Este:



Na imagem não parece, mas aquilo faz um decote assim para o exagerado. E eu sou pessoa que não usa decotes. Não sei porquê. Hoje em dia é mais do que natural ver-se mulheres, com peitos de todos os tamanhos e feitios, a mostrar um belo decote, mas eu não consigo! Nem sequer tenho roupa para tal e, por isso, não quis gastar dinheiro naquele conjunto. Até porque tenho lá em casa outro da Intimisimi, que me custou os olhos da cara, fora dos saldos e que agora não uso, porque é demasiado push up e fico com a sensação de ter mamas até ao queixo.
No entanto, quanto mais olho para ele, mais vontade tenho de o ir buscar. E pode ser que, entretanto, consiga comprar um trapinho digno deste Monica.

terça-feira, 25 de julho de 2017

Dois anos depois do acidente mais estúpido da história do ciclismo

Remember this?


É. Faz hoje dois anos que fui parar ao hospital com o pipi todo esfrangalhado. Sim, é um termo estúpido, mas era exatamente assim que eu estava. Física e psicologicamente. 

24 meses depois, já voltei a andar de bicicleta, felizmente sem quedas a registar. Claro que investi nuns canções profissionais, que eu sou maluca, mas nem tanto. Ainda assim, confesso que ainda fico com o estômago às voltas, enjoada, angustiada e revoltada quando me lembro do que aconteceu. Estão a ver aquela coisa chamada trauma, que os psicólogos têm a mania de chamar sempre às conversas? Pois o meu está cá. Bem presente.

segunda-feira, 24 de julho de 2017

Já disse que odeio ser pobre??

Sabeis aquelas alturas em que o dinheiro só conhece o modo de saída da conta? Estou nessa fase... É despesa atrás de despesa. Ainda por cima, com os dois meses de desemprego, as coisas ficaram um bocado desequilibradas.
Ele é casamentos, ele é seguro e selo do carro, ele é pneus e inspeção, ele é IRS... Aiii! Odeio ser pobri!

sexta-feira, 21 de julho de 2017

Deitar cedo e cedo erguer, custa pra caramba, mas realmente dá resultado!

Já disse que era gaja para viver nesta cidade? Não sendo muito grande (tem cerca de 120.000 habitantes), não lhe falta nada. E acredito que quem cá mora tem uma qualidade de vida incrível.
Na minha empresa parecem todos super tranquilos. Não vejo pessoas a stressar com os outros, nem a falar alto, como os tugas tanto gostam de fazer. E, no entanto, o trabalho flui muito bem.

Começo a pensar seriamente adotar os horários deles, que permitem aproveitar muito melhor o dia. Levantar mais cedo para trabalhar custa, é certo, mas depois acaba por se refletir, não só na produtividade, como na vida pessoal. Pouco depois do meio da tarde esta malta já está a sair para passear, beber um copo, ir buscar os filhos à escola, fazer as compras da semana, o que seja, sem terem de chegar a casa às oito da noite. E todos sabemos que, depois de chegar a casa, há sempre imensas coisas para fazer e, quando damos por ela, é meia-noite e ainda estamos a passar a ferro. 

Sei que nem todos têm flexibilidade para fazer esta opção, por terem horários fixos ou por fazerem turnos. Mas mantenho a esperança de que, um dia, as empresas portuguesas vão olhar um pouco para o que se faz nestes países (no Norte da Europa é normal fazer estes horários, para 35 horas semanais, ou menos) e adotar novas estratégias. 
Pode ser que, num futuro não muito longínquo, os patrões portugueses cheguem à brilhante conclusão de que funcionários satisfeitos sãos os mais produtivos. E não necessariamente os que passam mais tempo sentados à secretária. Ou a engraxar. E não são os sapatos.

quinta-feira, 20 de julho de 2017

Saudações germânicas!

Tive de vir uma semana à Alemanha fazer formação. Que chatice, não é?

E digo-vos que a experiência está a ser espectacular! Era gaja para me adaptar a este estilo de vida. A cidade onde estou é lindíssima e os colegas são super simpáticos. Na rua encontram-se pessoas de muitas muitas nacionalidades e há restaurantes incríveis, de gastronomia estrangeira. A preços mais baixos que no Porto, o que é um bocado frustrante. 

Portanto, na terceira semana de trabalho na nova empresa, o balanço é muito positivo! Vamos esperar que assim continue.